Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Dia do Pai

       19 de Março...”Dia do Pai” onde os sorrisos, os beijos e os abraços de afecto aqueciam o  vosso coração de uma maneira especial.

      A memória está mais lúcida e presente neste dia, porque é humano que a saudade visite mais profundamente o vosso íntimo. Os outros, que felizmente partilham este dia com os seus filhos, sem querer, fazem lembrar esta data que já foi vossa. Vossa? Não o posso dizer assim...São e serão sempre pais...que criaram e viveram bons momentos com os vossos inesquecíveis filhos.

       Não estou aqui para que esqueçam o que está vivo e perdura. Não estou pedindo que simplesmente ultrapassem...mas sim, que repitam esses momentos com todos aqueles que convosco viveram o “Dia do Pai”. Com que ternura olho as pequenas prendinhas que o meu filho me deu, a dedicatória de um livro escrita com a sua letrinha de criança...É preciso tentar um sorriso para que o vosso Eu vá aprendendo a viver outra vez.

       Ao darem um passo em frente, mesmo que ele seja ainda vacilante...é a prenda que oferecerão ao ausente. Desejo que se esforcem nesse sentido, que meditem nas palavras deste pai:

 

“...Sou pai mesmo consciente de que perdi, fisicamente e para sempre, o meu filho. Fui atingido muito fortemente, fiquei sem asas para que o meu voo continuasse para além do meu tempo, da minha vida. Mas não caminharei sozinho...hei-de encontrar a luz da esperança que um dia me iluminará. É essa a certeza que vai desmentindo a noite que carrego dentro de mim.

 

Só sei que tenho de prosseguir, tentar encontrar-me neste labirinto que ainda me prende. Equilibrar-me entre formas e sinais que não decifro.

 

Medito na noite em que me encontro, tento sair da dor, olhar em volta e continuar mas o frio que ainda sinto é um obstáculo à meditação e à verdade da própria vida. Estou cego e quero ver...quero ter pensamentos positivos e estáveis, desenhar o dia-a-dia, com cores que nunca poderão chegar através da vida do meu filho, mas que eu sozinho as criarei para juntos partilharmos.

 

Terei coragem, eu sei, de progredir, tornar-me mais perfeito sobre esta planície deserta onde me encontro e donde quero ressurgir mais consciente, mais humano, mais persistente. Não! Não vou desistir...”

 

 

      Toda a felicidade tem um tempo...porque quando a perdemos o passado foi um sonho de onde se acorda e não se torna a viver...Porquê pensar assim? Aprendam antes que só realmente se sente a felicidade verdadeira no momento em que se compreende que não é só no visível que ela se abrange. Ela continua dentro de todos os que sofrem, escondida porque a dor é como as ondas bravias que afogam a nossa paz.

      Acordem pois para o tempo que estão vivendo e louvem o ter conhecido e amado esse filho que partiu. O amor de um pai não morre. O bebé, a criança, o jovem, o adulto são os vossos filhos e não nasceram em vão.

      Não se apressem a abandonar o interesse pela vida...deixem que esses filhos continuem a mostrar-vos o melhor caminho.

      O Dia do Pai que hoje lembramos carinhosamente, que seja um dia de paz e de amor entre todos aqueles que sentem saudade. Este dar as mãos vai trazer-vos com certeza outras mãos distantes, mas sempre tão perto dos vossos corações. É preciso sonhar e crer num Amanhã liberto de angústias e receios.

      Pais, que mais vos posso dizer? Senão oferecer este carinho imenso e o meu empenhamento para que prossigam com a alma aberta sem disfarces. Percorram o tempo de dor mas não fechem os olhos à vida, mesmo que ela hoje não vos saiba dar respostas. Pelo ausente e com o ausente desafiem os obstáculos, as dúvidas e as incertezas. Levantem a cabeça e olhem o céu...é sempre bonito mesmo em dias de tempestade.

 

 

Aida Nuno

 

URGENTEMENTE

 

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras

Ódio, solidão e crueldade,

Alguns lamentos,

Muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

Multiplicar os beijos, as searas,

É urgente descobrir rosas e rios

E manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros,

E a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

 

Eugénio de Andrade

 

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 22:24
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