Domingo, 13 de Janeiro de 2013

Coragem

 

 

Pelo calor da noite

A morte veio sozinha

Cega arrebatou uma flor

Ainda Primavera!

 

Morte tão fria! Tão gelada!

Caminhas sobre mágoas

Cobre-te um manto negro

Feito de pranto

Que ventre te gerou?

Nas trevas vagueias muda e cega

Nunca viste nascer uma flor...

 

A todos os pais em luto aconselho com todo o meu carinho: lerem livros de bons autores e poesia que suavize a alma; ocuparem o tempo com passeios no campo ou junto ao mar; falarem e sorrirem para crianças que fazem parte do vosso ambiente familiar ou de amigos e ainda as que passam por vós casualmente; desabafarem com desconhecidos acessíveis ao diálogo. Se acreditam em Deus procurem a sua igreja e os seus representantes que vos confortarão.

 

Um dia surgirá em que não desejarão repetir tão assiduamente a vossa história porque se sentem melhores para enfrentar a Vida. São passos que vos farão bem. Aos poucos, estou certa, vão encontrar motivos para tornar a sorrir. Se não podem mudar o que não tem remédio mudem o sentir da alma, que é a essência, no sentido de apaziguarem o tumulto que dentro de vós existe.

 

Com o tempo e muita paciência devem esforçar-se por reconstruir com serenidade, coragem e determinação a vossa “casa”: o seu interior e exterior. Vão encontrar com certeza o melhor caminho. Com o tempo o filho perdido será o companheiro íntimo, a força, a lucidez e não a mortificação.

 

O tempo entre a Vida e a morte é um sopro. Não desistam, utilizem o vosso tempo precioso com objectivos que vos estimulem.

 

Pela primeira vez me exprimo desta maneira e o meu maior desejo e esperança é que, num lugar qualquer, algum pai ou mãe em luto leia esta minha missiva e se conforte com as minhas palavras.

 

Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 00:01
link do post | comentar | favorito
3 comentários:
De a 14 de Dezembro de 2007 às 23:26
Comentário apagado.
De criar e ousar a 13 de Janeiro de 2008 às 21:07
Olá Maria!

Um Boa ano!

Ajude a sua amiga. Pode usar tudo o que eu escrevo.

Um beijo,

Aida
De Bárbara a 17 de Janeiro de 2013 às 17:00
Oi, preciso muito de ajuda... Meu único e sonhado filho faleceu com apenas um dia de vida. Sinto que estou morrendo todos os dias
De criar e ousar a 17 de Janeiro de 2013 às 17:18
Minha querida amiga!

Eu sei verdadeiramente a dor que está sentindo. Por um filho não se sofre pelo tempo que pudemos amá-lo mas sim porque ele era a nossa esperança.

Que mais lhe poderei transmitir senão o que vai lendo no meu blog.

Escreva-me e desabafe tudo que tem dentro de si e que a está magoando tanto.

O tempo será o seu melhor amigo. Tenha muita coragem e esperança acreditando que um dia brilhará
outra vez a paz e serenidade dentro do seu coração agora tão triste.

Um abraço carinhoso da Aida

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