Quinta-feira, 19 de Setembro de 2013

OS NOSSOS FILHOS JÁ NÃO MORAM AQUI


Este livro foi escrito e acarinhado ao longo de muito tempo até que o finalizei. Houve então um dia em que o desejo de publicá-lo surgiu e, esse desejo, ficou muito pouco tempo retido.
Pensei: Porque não editar? Porque não lutar por ele? Porque não transmitir através do meu livro, a quem o queira ler, sentimentos que estão dentro de mim e que talvez possam apaziguar o espírito de quem está sofrendo a ausência dos seus filhos? Porque não sensibilizar todos aqueles que têm o privilégio de terem os seus filhos vivos? Porque não sensibilizar também os jovens para o significado da alegria da VIDA e da tristeza da MORTE. Porque não ir ao encontro do sentir de muitas e muitas pessoas que, por várias razões, são tristes, revoltadas e infelizes?
Não foi fácil ter a ousadia de escrever um livro onde as convicções e as dúvidas se debateram, para eu, por fim, acreditar que ele podia ser útil.

Nunca tive uma noção tão clara como as palavras são importantes, como ao escrevê-lo.

 

Ao elaborá-lo tive o cuidado de ser humilde porque posso ser falível no que desejo transmitir, no meu objectivo. Sincera e emotiva porque exprimi o meu sentir como nunca o tinha feito. Corajosa e frágil porque sou humana. Preocupei-me em não querer igualar nenhum pai ou mãe pelo meu sentir e vivência.

  

 

Este livro não é uma catarse, é sim, a procura de um modo de incentivar a transformar a dor em saudade. Desejar que os pais em luto e não só, consigam prosseguir o seu caminho com coragem para alcançarem a virtude da esperança.


Procurei ajuda dando a ler alguns dos pedaços deste livro. Aí, comecei a ter respostas muito positivas ao meu apelo e não consegui parar o intento de o publicar.

 

É esta a sua história muito resumida. Contá-la em pormenor só fazendo um outro livro com episódios maravilhosos de contacto humano. Pessoas de coração aberto à solidariedade e à afectividade. 

 

Pouco mais tenho a acrescentar ao seu nascimento. Ele é o meu mensageiro. Foi escrito por amor e com amor.

 

Todos os que sofrem ao interrogarem-se sobre o caminho que devem percorrer, depois da ausência de quem amam, é porque o vosso interior pede tréguas para tanto sofrimento.

 

Aconchegar a saudade dentro de nós e sentir Amor pelos que nos rodeiam é a nossa salvação. O Amor é uma palavra que se usa e abusa mas, no entanto, o Amor, na sua verdadeira essência, penso que estão de acordo, é o que faz girar o mundo.

 

Todos temos diferentes personalidades, diferentes vidas, diferentes problemas mas sei que acreditam que é muito importante guardar dentro de nós a esperança.

 

A esperança é que nos anima a buscar as respostas para o incompreensível. É ela que nos põe na expectativa, de melhores dias para viver. A vida deixará de ser vida se não acreditarmos que o amanhã será um dia melhor e nos trará desafios para vencer o desalento.

 

Só uma saudade serena pode-nos ajudar a prosseguir. A saudade é muito mais do que morte, saudade é vida, é o agora que já deixou de ser presente. Deixou, sim, na memória, momentos importantes e intensos por nós vividos.

 

Resta-nos o consolo de sabermos que quanto maior for a saudade que sentimos, com certeza, mais rica terá sido a nossa vida.


Todos aqueles que quiserem obter o meu livro basta enviarem o pedido para 


e-mail:     aidacampos@sapo.pt  

 

publicado por criar e ousar às 16:58
link do post | comentar | favorito
Domingo, 13 de Janeiro de 2013

Coragem

 

 

Pelo calor da noite

A morte veio sozinha

Cega arrebatou uma flor

Ainda Primavera!

 

Morte tão fria! Tão gelada!

Caminhas sobre mágoas

Cobre-te um manto negro

Feito de pranto

Que ventre te gerou?

Nas trevas vagueias muda e cega

Nunca viste nascer uma flor...

 

A todos os pais em luto aconselho com todo o meu carinho: lerem livros de bons autores e poesia que suavize a alma; ocuparem o tempo com passeios no campo ou junto ao mar; falarem e sorrirem para crianças que fazem parte do vosso ambiente familiar ou de amigos e ainda as que passam por vós casualmente; desabafarem com desconhecidos acessíveis ao diálogo. Se acreditam em Deus procurem a sua igreja e os seus representantes que vos confortarão.

 

Um dia surgirá em que não desejarão repetir tão assiduamente a vossa história porque se sentem melhores para enfrentar a Vida. São passos que vos farão bem. Aos poucos, estou certa, vão encontrar motivos para tornar a sorrir. Se não podem mudar o que não tem remédio mudem o sentir da alma, que é a essência, no sentido de apaziguarem o tumulto que dentro de vós existe.

 

Com o tempo e muita paciência devem esforçar-se por reconstruir com serenidade, coragem e determinação a vossa “casa”: o seu interior e exterior. Vão encontrar com certeza o melhor caminho. Com o tempo o filho perdido será o companheiro íntimo, a força, a lucidez e não a mortificação.

 

O tempo entre a Vida e a morte é um sopro. Não desistam, utilizem o vosso tempo precioso com objectivos que vos estimulem.

 

Pela primeira vez me exprimo desta maneira e o meu maior desejo e esperança é que, num lugar qualquer, algum pai ou mãe em luto leia esta minha missiva e se conforte com as minhas palavras.

 

Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 00:01
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Terça-feira, 23 de Outubro de 2012

Meu filho mostra-me o caminho

 

       Se pudéssemos aceitar a morte do nosso filho...Se conseguíssemos entendê-la sem enlouquecer de angústia... Vamos para sempre ser vulneráveis a esta perda. A nossa vida passa correndo mas com a dor torna-se espessa e vagarosa até ao dia em que percebemos que o tempo não tem tempo.
 
        Passam os anos e quando paramos para lembrar parece que foi ontem. Reparem: Ao olharmos para trás já nem nos lembramos de como éramos em crianças...Da nossa adolescência ficaram só pequenos pontos na nossa memória. Tudo é lembrado, por vezes, por fotos guardadas pelos nossos pais ou por nós. É angustiante ficar para sempre interrogando como seria se... Não há retorno...não podemos resolver nada do passado...é como um copo partido, nunca mais nele podemos saciar a nossa sede, mas, a água continua a dar-se através de outros copos ou mesmo com as nossas mãos em concha. É tudo uma questão de vontade.
 
        Sinto, por vezes, uma dor muito fina quando lembro e sinto viva a ausência desse filho que tanto amei e  então simplesmente fujo... Quero que ele esteja em mim como uma criança que constantemente me mostra o caminho mais simples para continuar:.a serenidade, o amor, a amizade.
 
        Tudo é efémero... É preciso acreditar que a tranquilidade virá. Venceremos um dia a distância...é preciso dar tempo.
 
         Eu estou aqui esperando por todos vós para dar o meu apoio. É preciso acreditar num futuro cheio de vontade de melhor fazer, de melhor estar com todos. Com o ausente e pelo ausente sejamos solidários com o mundo.
 
 
Aida Nuno
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 19:08
link do post | comentar | favorito
Segunda-feira, 22 de Outubro de 2012

Continuo com todos os que precisem de mim

Há já muito tempo que não escrevo  aos pais em luto que pesquisam na net umas palavras de coragem e solidariedade.

 

Tudo que está neste blog é vosso, é o meu sentir e sendo assim pouco mais há a acrescentar do que já escrevi. Compreendo, em cada ano que passa, mais a vossa dor. Estou mais velha, mais frágil e ao mesmo tempo mais forte. Não vos sei explicar esta complexidade de sentimentos onde as interrogações são constantes.

 

Felizmente, junto a mim, tenho os meus filhos vivos que me amam e me acarinham. Do outro lado tenho a criança que perdi. O filho que não cresceu. O filho que sinto que é o meu anjo, o meu companheiro, quando a solidão, de quando em vez, me bate à porta. É como estar dividida. Continuo a amar a vida...continuo a querer saborear o tempo que me resta amando, vivendo, sentindo este Eu que nasceu comigo e que acabará quando fôr  tempo.

 

O Nuno dá-me alento, dá-me o sorriso de esperança quando olho o mar, o céu, o sol, a lua e as estrelas e principalmente quando vejo as inocentes crianças a brincar...  Nelas encontro, por vezes, muitas semelhanças com esse filho que partiu. É a renovação, é o mundo que não pára.

 

Temos de ter coragem e enfrentar o dia a dia com resignação e esperança no amanhã, vivendo também positivamente cada dia que nos é oferecido. Usar a nossa saudade em energia positiva para sermos úteis mesmo nas coisas mais simples.

 

Já passaram 31 anos após a morte nunca esquecida deste meu amado filho. Como o tempo passa e como tudo se vai transformando...é inevitável.

 

Fui convidada a ir à TVI  amanhã, 23 de Outubro, ao programa "A Tarde é Sua" de Fátima Lopes.  Desejo que numa conversa serena e amiga as palavras que vos dirijo sejam as certas para vos ajudar a suportar tão grande dor. Que o meu percurso ao longo destes anos seja também uma esperança nos vossos corações

 

Um até breve  num abraço de conforto.

 

Aida Nuno

publicado por criar e ousar às 20:06
link do post | comentar | favorito
Sábado, 5 de Maio de 2012

Sempre

          

         

          Não desesperes se, num trágico dia, esse amado filho, que trouxeste ao mundo, deixou a estrada da vida e partiu para aquele espaço que acreditas que seja de tranquilidade infinita. Seca as lágrimas de angústia e vive aguardando com serenidade que a tua caminhada chegue ao fim.

         És mãe para todo o sempre. Sempre uma palavra, neste contexto, cheia de Esperança, o significado de crer acreditar que os momentos mágicos de partilha com esse filho não morreram. A alma ficou magoada mas aberta ao sonho de continuares a viver trazendo bem vivo dentro de ti esse filho que foi uma realidade.
         É bom acreditar que no dia em que a tua viagem tiver o seu termo, chegarás à sua beira, e manterás com ele um diálogo de amor infinito. Por isso, esforça-te para que a nostalgia não se abrigue em ti e faça da tua pessoa um ser doente, demasiado só e triste. Contempla o céu, as estrelas e toda a magnificência do mundo que nos abriga, debruça-te sobre aqueles que nada possuem e sê atenta. Aos que te quiserem escutar fala-lhes das tuas experiências de vida, das tuas memórias. Conta às crianças, que por ironia do destino se cruzam contigo, histórias do teu imaginário de criança e com elas partilha a alegria de estares viva porque assim serás de novo mãe. Estás a contribuir para um mundo mais humano, estás a ofertar, ou seja, a transformar o teu desgosto em algo muito belo que no momento certo relembrarás junto desse filho que partiu. É bom acreditar que um dia te juntarás a ele e falarão das coisas bonitas do mundo dos homens.
          Sentiste, tanto como eu, que naquele dia em que o teu filho de ouro partiu, as sombras caíram sobre ti e um desejo intenso de te juntares a ele obcecou-te. Não é possível, nem humano partir quando se quer mas sim quando a nossa história chega ao fim. E, se num momento de loucura o fizermos antes, estaremos a desejar esquecer de uma maneira egoísta a própria essência da nossa vida em relação aos outros.
         Sabes mãe, o tempo é curto, e por isso, tens de caminhar, dar a volta ao teu mundo, viver a tua missão de Vida, a partir do momento em que nasceste, sem o pedir, até ao ponto de retorno que não será o Nada mas sim aquilo em que acreditares.
         Tenta renovar as tuas forças, a tua determinação e acredita que apesar da distância, da fragilidade que sentes, dessa incerteza em que o teu coração se encontra, o teu filho está incondicionalmente contigo para todo o sempre. Escuta-o e olha para o exterior e respira. Renova-te e responde-lhe dizendo que não interessam as barreiras físicas porque estão juntos para partilharem diferentes claridades.
         Murmura, fala ou grita junto ao mar ou à montanha, que queres a sua felicidade, e que apesar desta inevitável ausência, tudo está presente, porque o amor é de tal intensidade que ficarás à espera que tudo um dia se transforme e te demonstre o seu significado.
         Eu para sobreviver brinco com as palavras e com elas faço versos, faço narrativas que me trazem as lembranças escondidas fazendo-me rir ou chorar. Fico feliz ao passar para o papel pedaços do meu caminho que se cruzam com outros caminhos que eu procuro ou que se me apresentam. O que desejo verdadeiramente é que te lembres que eu te convido a fazeres da tua vida, momento a momento, um desafio, partilhado com os vivos e os mortos que estão no teu coração.
 
Aida Nuno
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 09:25
link do post | comentar | ver comentários (1) | favorito
Terça-feira, 1 de Novembro de 2011

Reflexões

         Por vezes ficamos perdidos na vida, perdidos entre os outros, surdos às suas palavras e aos seus gestos de amor.  As razões são dolorosas, eu sei, não sentimos mais emoção perante o que vemos ou ouvimos pois deixámos de querer prosseguir. Perdemo-nos do mundo e de nós próprios. 
          Depois, bem depois cada um de nós pede que as encostas íngremes da vida sejam suavizadas. Agitamo-nos a cada instante como se fosse esse o primeiro ou o último. Temos uma força que nem sempre sabemos de onde vem. Temos a esperança quando sentimos o calor do sol e espanto perante todo este universo e, ao mesmo tempo, vivemos com a dor maior de seguir em frente, dia após dia, continuando a sentir a ausência física do filho que amamos para todo o sempre. Podemos morrer e ressuscitar, ou viver e desistir...
         Vamos ser fortes. Seguir em frente sob novas formas, nova sabedoria, nova...sempre nova vida, como uma renovação, lembrando que esse filho perdido é uma estrela para sempre refulgindo nos nossos corações.
         Ofereço-vos este poema maravilhoso do grande poeta português Antero de Quental:
Feliz de quem passou por entre a mágoa
E as paixões da existência tumultuosa,
Inconsciente, como passa a rosa,
E leve como a sombra sobre a água.
Era-te a vida um sonho. Indefinido.
E ténue, mas suave e transparente...
Acordaste, sorriste... e vagamente
Continuaste o sonho interrompido. 
Aida Nuno
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 12:42
link do post | comentar | favorito
Sábado, 7 de Maio de 2011

Partilhar

Minha querida amiga,
 
Gostei imenso de receber a sua carta. Primeiro porque consegui que respondesse ao meu apelo e depois porque confiou, por momentos, a sua alma a outra mãe.
 
Um filho, minha amiga, é para sempre... Só morre quando nós, mães, fecharmos os olhos um dia.
 
Porquê? Porque tivemos que passar por esta tão grande dor?
Não sabemos, ninguém o sabe.
 
Eu, por mim, para me consolar, tento encontrar-me com o Universo, com todo este mundo em que vivemos e que é impossível, por muito conhecimento que se tenha, por muito que nos mostrem os órgãos de informação, livros, revistas, etc... alcançar verdadeiramente o sentido, o sofrimento de toda a humanidade na nossa pele. Tudo é muito mais... por isso é que nós mães em luto somos irmãs. Ninguém mais pode alcançar este sentimento de perda.
 
Tantas mães sofrendo. Umas não chegaram a conhecer os seus filhos e pensarão sempre como eles seriam se tivessem conhecido o mundo, como seria a sua voz chamando Mãe!; mães olhando os filhos a definhar com doenças incuráveis sem nada poderem fazer até ao fim; outras em segundos perdem os seus filhos nas estradas ou em circunstâncias mais diversas; outras mães sofrem vendo os seus filhos a perderem-se com companhias, drogas, etc. até à morte, sem nada poderem fazer.
Porquê? Porque fomos escolhidas? Porque foram os nossos filhos os escolhidos? Será que aconteceu e pronto?
 
Minha amiga eu acredito que nada é em vão... e tanto assim é que com este grande sofrimento nos transformamos. Só gostaria que todas as mães em luto lutassem e passassem as suas energias, a sua sabedoria, a sua bondade para o próximo em memória do seu ausente. Demore o tempo que demorar, eu sei, mas é este um grandioso objectivo que nos dará mais serenidade e vontade de continuar.
 
Repare nos amigos do seu filho... tenho a certeza que se modificaram para melhor em relação ao sucedido ao seu filho. A Estela vai certamente ser uma grande Mulher. E a Teresa com esses meninos a quem ensina com tanto empenho? Tudo o que lhes disser vai ser captado. Mostre-lhes a sorte que têm mesmo que tudo que tenham não seja assim tanta sorte! E a sua família que eu vislumbro ser tão unida? E a sua sensibilidade perante as suas flores? A sua vontade de continuar... obrigada também pelo que me deu.
 
Vamos ser firmes e caminhar com coragem e lembrar os nossos filhos com orgulho. Oferecemo-los ao mundo onde viveram tão pouco tempo mas, serão sempre lembrados com muito amor pelo que nos trouxeram, pelo que fizeram por nós. Essa dádiva será transmitida a outros. Talvez seja esse o cerne do sofrimento.
 
Uma amiga sempre ao seu dispor
 
Aida Nuno
 
 
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 20:11
link do post | comentar | favorito
Quinta-feira, 24 de Março de 2011

É preciso ter coragem

 

 
        Se nos interrogamos sobre o caminho que devemos percorrer depois da dolorosa partida dos nossos filhos é o nosso interior a pedir tréguas para tanto sofrimento. Afinal não ficámos vazios porque a nossa mente está pedindo ajuda à Vida.
 
        É necessário compreender o universo e o mundo onde habitamos para que as nossas interrogações tenham resposta. Os nossos filhos não foram um sonho... Partiram mas transformaram-se em estrelas brilhando no nosso interior cheias de amor por nós.
 
         Continuarmos a sentir Amor é a nossa salvação. O Amor é uma palavra que se usa e abusa mas, no entanto...o Amor, penso que quase todos estamos de acordo, faz girar o mundo. Hoje, unidos nesta tão grande perda sabemos, mais do que nunca, quanto a vida é preciosa. Quando permitimos que esse sentimento ganhe expressão, em todo o seu esplendor, sentimos um grande conforto e uma vontade imensa de continuarmos a projectar a nossa vida para o caminho da paz e serenidade.
 
        É urgente acreditar. É necessário libertar a ira, o desespero, o medo ou a culpa para que o conforto da fé permaneça nos nossos corações.
 
        Sinto que é tudo mais simples quando deixamos de dizer “Não vale a pena...”; “Não resisto à dor...”;”É tarde...”; “Não consigo...”.
 
        O nosso equilíbrio da mente e do corpo é alcançado quando passamos a ter coragem de nos levantarmos todas as manhãs para irmos à luta levando os nossos filhos connosco.
 
        É preciso ter coragem para continuar... 
 
 
 
                                                                                                    Aida Nuno
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 00:28
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Sexta-feira, 18 de Março de 2011

Dia do Pai

       19 de Março...”Dia do Pai” onde os sorrisos, os beijos e os abraços de afecto aqueciam o  vosso coração de uma maneira especial.

      A memória está mais lúcida e presente neste dia, porque é humano que a saudade visite mais profundamente o vosso íntimo. Os outros, que felizmente partilham este dia com os seus filhos, sem querer, fazem lembrar esta data que já foi vossa. Vossa? Não o posso dizer assim...São e serão sempre pais...que criaram e viveram bons momentos com os vossos inesquecíveis filhos.

       Não estou aqui para que esqueçam o que está vivo e perdura. Não estou pedindo que simplesmente ultrapassem...mas sim, que repitam esses momentos com todos aqueles que convosco viveram o “Dia do Pai”. Com que ternura olho as pequenas prendinhas que o meu filho me deu, a dedicatória de um livro escrita com a sua letrinha de criança...É preciso tentar um sorriso para que o vosso Eu vá aprendendo a viver outra vez.

       Ao darem um passo em frente, mesmo que ele seja ainda vacilante...é a prenda que oferecerão ao ausente. Desejo que se esforcem nesse sentido, que meditem nas palavras deste pai:

 

“...Sou pai mesmo consciente de que perdi, fisicamente e para sempre, o meu filho. Fui atingido muito fortemente, fiquei sem asas para que o meu voo continuasse para além do meu tempo, da minha vida. Mas não caminharei sozinho...hei-de encontrar a luz da esperança que um dia me iluminará. É essa a certeza que vai desmentindo a noite que carrego dentro de mim.

 

Só sei que tenho de prosseguir, tentar encontrar-me neste labirinto que ainda me prende. Equilibrar-me entre formas e sinais que não decifro.

 

Medito na noite em que me encontro, tento sair da dor, olhar em volta e continuar mas o frio que ainda sinto é um obstáculo à meditação e à verdade da própria vida. Estou cego e quero ver...quero ter pensamentos positivos e estáveis, desenhar o dia-a-dia, com cores que nunca poderão chegar através da vida do meu filho, mas que eu sozinho as criarei para juntos partilharmos.

 

Terei coragem, eu sei, de progredir, tornar-me mais perfeito sobre esta planície deserta onde me encontro e donde quero ressurgir mais consciente, mais humano, mais persistente. Não! Não vou desistir...”

 

 

      Toda a felicidade tem um tempo...porque quando a perdemos o passado foi um sonho de onde se acorda e não se torna a viver...Porquê pensar assim? Aprendam antes que só realmente se sente a felicidade verdadeira no momento em que se compreende que não é só no visível que ela se abrange. Ela continua dentro de todos os que sofrem, escondida porque a dor é como as ondas bravias que afogam a nossa paz.

      Acordem pois para o tempo que estão vivendo e louvem o ter conhecido e amado esse filho que partiu. O amor de um pai não morre. O bebé, a criança, o jovem, o adulto são os vossos filhos e não nasceram em vão.

      Não se apressem a abandonar o interesse pela vida...deixem que esses filhos continuem a mostrar-vos o melhor caminho.

      O Dia do Pai que hoje lembramos carinhosamente, que seja um dia de paz e de amor entre todos aqueles que sentem saudade. Este dar as mãos vai trazer-vos com certeza outras mãos distantes, mas sempre tão perto dos vossos corações. É preciso sonhar e crer num Amanhã liberto de angústias e receios.

      Pais, que mais vos posso dizer? Senão oferecer este carinho imenso e o meu empenhamento para que prossigam com a alma aberta sem disfarces. Percorram o tempo de dor mas não fechem os olhos à vida, mesmo que ela hoje não vos saiba dar respostas. Pelo ausente e com o ausente desafiem os obstáculos, as dúvidas e as incertezas. Levantem a cabeça e olhem o céu...é sempre bonito mesmo em dias de tempestade.

 

 

Aida Nuno

 

URGENTEMENTE

 

É urgente o Amor,

É urgente um barco no mar.

 

É urgente destruir certas palavras

Ódio, solidão e crueldade,

Alguns lamentos,

Muitas espadas.

 

É urgente inventar alegria,

Multiplicar os beijos, as searas,

É urgente descobrir rosas e rios

E manhãs claras.

 

Cai o silêncio nos ombros,

E a luz impura até doer.

É urgente o amor,

É urgente permanecer.

 

Eugénio de Andrade

 

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 22:24
link do post | comentar | favorito
Sábado, 4 de Dezembro de 2010

O Natal e a ausência






Precisamos, por vezes, de nos isolarmos para pensar verdadeiramente nos porquês da nossa existência. Porque sou esta pessoa?

Quantas e quantas vezes ao relembrar o passado, recente ou longínquo, angustiamo-nos com o futuro. Aprender a agir de maneira diferente sobre certos aspectos da nossa maneira de estar na vida faz-nos mudar a nossa visão em relação ao que somos e ao que nos rodeia.

Podemos utilizar esses instantes de meditação como uma porta que se abre e vermo-nos nos momentos bons e maus do passado. A seguir pensamos que é impossível vivermos agarrados ao que não tem consistência e que já não existe. Nós afinal já somos todo esse passado que ficou registado na nossa memória. Agora o que realmente é importante é o momento presente. Só ele é real.

Para encontrarmos o nosso equilíbrio não podemos desperdiçar o tempo com devaneios que não nos tragam ensinamentos. Ser simplesmente saudosista envenena-nos o espírito. A felicidade nunca é plena e não espera. Ela dá-se aqui e agora.

É, sim, muito importante, reencontrar a inocência do olhar e os nossos melhores sentimentos virem à superfície. Agarrarmos cada instante do hoje e do amanhã.

Quando nos sentimos felizes, junto de quem amamos, é útil para o nosso espírito pensar que tudo são instantes e apreciá-los em toda a sua plenitude. Não somos imortais e não devemos agir com soberba ou superioridade como se a tudo tivéssemos direito.

Agradecer as pequenas coisas felizes que vivemos, tornarmo-nos em crianças surpreendidas pela vida, sermos simples e afectivos é uma dádiva que podemos oferecer a nós próprios.

Tudo que nos acalenta o coração não passa. Desloca-se para outros instantes e ficamos sem medo do fim inevitável.

O mundo rege-se pelo nascer, viver e morrer. Se assim o aceitarmos, lutando pelo nosso bem-estar e o dos outros seremos sempre uma nascente que nunca deixará de nos saciar.

Vamos olhar o presente como uma dádiva e o futuro com uma vontade firme de prosseguir apreciando as pequenas alegrias e lutando com sabedoria contra as injustiças. Estimular uma nova maneira de sentir para que o futuro seja percorrido com uma melhor filosofia de vida.

Eu sei que esta época natalícia é triste quando nos lembramos de outros Natais com os nossos queridos filhos. Pensem neles com muito amor mas sobretudo lembrem-se do que ele vos diria se estivesse fisicamente ao vosso lado. Se assim o fizerdes um sorriso de paz surgirá no vosso rosto. Não tenham medo de continuar a aceitar a vida sem eles. O vosso filho será a estrela que vos ajudará em todas as vossas aflições.

Um Natal com muita coragem, paz e esperança. 

 

Aida Nuno

 
sinto-me:
publicado por criar e ousar às 10:23
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Terça-feira, 23 de Fevereiro de 2010

Eu Espero

 

  

  

Içaram a âncora
Desataram o navio
O vento soprou forte
As velas inquietas
Levaram o meu filho.
 
Como um bravo marinheiro
Tu partiste
Silencioso, para lá do horizonte.
 
De esperança
Faço hoje o meu navio
Esta tristeza no meu coração
Tem de acalmar
É como o mar… vai e vem
Se o escutar
Oiço bem ao longe
O coro dos marinheiros
Miragem, só miragem
Ele não veio.
 
Choro por quem foi minha alegria
Um dia hei-de também partir!
Mas, antes, muito antes
Com coragem viverei.
 
Paciente, muito paciente
Eu espero
A hora de apertar
O meu filho contra o seio.
 
 
Aida Nuno
 
 
 

 

sinto-me: paciente
publicado por criar e ousar às 18:26
link do post | comentar | ver comentários (10) | favorito
Quarta-feira, 13 de Janeiro de 2010

O que poderia ter sido

     Dirijo estas simples palavras a todos aqueles que no fundo do seu dorido coração continuam a querer amar a vida e sentem dentro de si o desejo de uma outra margem onde todos os sentimentos possam habitar. A todos aqueles que querem acreditar que ainda há esperança e desejam continuar, em plena consciência, a usar o seu espaço por saberem a sua importância em relação a si próprios e ao mundo onde habitam.

 

     Sarar esta angústia que oprime e acreditar na eternidade, que está para além da nossa compreensão, são os passos que temos de dar para não adoecermos para sempre. Empenharmo-nos como verdadeiros lutadores que somos na Vida de todos os dias, é uma prova de amor para com os nossos filhos. É uma determinação que os honrará. Digam com muita força: Vou caminhar semeando neste deserto, onde agora me encontro, tudo aquilo que de melhor possuo, tudo o que é ainda possível dar enquanto o meu coração bater. Quero acordar novamente para a Vida! Não nos deixemos cair quando os momentos de maior tristeza e angústia se agarrarem a nós. Não podemos desistir. É essencial desafiar o medo, deixar cair a revolta para assim podermos relembrar os bons momentos passados com os nossos filhos e sermos misericordiosos para connosco.

 

     Sabemos que muitas e muitas vezes ao longo das nossas vidas havemos de cair em melancolia: O que podia ter sido e não foi... Não há chaves, nem métodos, nem técnicas que nos conduzam ao nosso próprio equilíbrio. Há diversos caminhos a percorrer e cada um de nós tem de o procurar. Para isso, no entanto, precisam de companheiros e amigos que vos acompanhem na responsabilidade das vossas decisões para encontrarem o futuro que ficou incompleto. Na realidade não sei se ficou incompleto ou diferente porque só tu companheiro o poderás saber com a ajuda da sabedoria do tempo.

 

     Transformem, decidam, avancem nesse caminho tão difícil de desbravar. A resposta ao vosso desejo de paz de espírito surgirá. Insurgirmo-nos contra o desânimo e meditar sobre este mundo banhado de alegrias e tristezas dar-nos-á conforto perante uma realidade triste. Os humanos cometem erros sobre erros, injustiças sobre injustiças, mas... milagre dos milagres! Entre eles surgem as estrelas que nos trazem a esperança no seu não à desistência. O que é a Esperança? É a luta pelo bem e que se encontra na lucidez destas palavras: Nada se perde tudo se transforma se o quisermos.

    

    Lutemos pois com o potencial que existe em nós pela serenidade, pelo companheirismo, pela fé de crer neste simples milagre de darmos as mãos e passarmos a partilhar um novo sorriso. O nosso filho será sempre o nosso companheiro.

 

 

Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 20:50
link do post | comentar | favorito
Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Aos nossos Filhos

        Este poema foi criado depois de ler um livro escrito por uma amiga de coração que perdeu um filho.

         Uma obra onde as palavras transmitem, de uma maneira sentida e sublime, o amor, a saudade, as interrogações de uma mãe  coragem.

         Espero, muito em breve, vê-lo editado para conforto de todos nós.

         Neste regresso a casa, não quis deixar de vos oferecer todo o meu carinho através deste poema.

 

 

Ainda me arde a chaga nunca curada

Dor que consome e não se extingue

Pássaro voando entre árvores de verdes transparentes

Pisando levemente, de quando em vez, este meu chão

Perdido estás aos meus olhos mas delicado é o teu canto

Inebriantes sonhos, companhia das minhas madrugadas.

 

Vem, meu amor, vem, quero escutar o bater leve das tuas asas

Quero embalar esse teu corpo tão delicado e tão presente

Onde ainda bate mansamente o teu terno coração.

 

Na noite, encostada às vidraças não respiro

Escuto no silêncio e tu não vens

Para quando o encontro? Onde?

Na brisa ou no vento?

Sem um lamento, muito docemente espero

Caminho de Luz, definição simples e pura

Tudo efémero menos esta saudade eterna

Entre clamores, sussurros e lamentos

Tempo, noite, dia e tudo se conjuga

E tudo se completa como uma sinfonia

Chama que refulge e me liberta

Num misto de agonia e de alegria.

 

Quando? Diz a sonata. Quando meu amor, quando?

Quando te afagarei porque o amor esse não morre

Tudo onde toco e onde tu tocavas falam da nossa história

Filho, grandeza, bondade, existência partida em pedacinhos

Espalha nesta terra, ainda nossa, o germe da doçura

Anjo para sempre, asas libertas, deixei-te desprender, voar

Liberta a tua mãe de tanto pranto

Tenho de sorrir, sinto o teu manto cobrir-me quente e diáfano

Como o sol e a lua fecundando o espaço

Fazendo-me acreditar que ainda existes.

 

Afastem-se nuvens negras, mares revoltos, terra seca

O meu filho é mais do que tudo o que se vislumbra

É muito mais do que isso.

 

Viveu, sofreu, amou e muito deu a quem o sentiu como eu

Sempre e para todo o sempre assim tão perto...

Olhem no azul lá longe, aquele pássaro rompendo horizontes

É ele que se afasta e escreve em tanta luz o seu caminho

Alegria meu amor, muita alegria por tudo o que foste e que nos deste.

 

Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 09:47
link do post | comentar | ver comentários (2) | favorito
Quinta-feira, 2 de Agosto de 2007

Valorizando a Vida

    Muitos de nós Pais em Luto dizemos que não vale a pena lutar porque a Vida não passa de uma ilusão.

    A questão central, no entanto, é saber o que nos leva a sentirmos, de modo tão negativo, esta escolha que é viver o nosso dia-a-dia sem qualquer interesse.

    Não vale a pena argumentar dizendo que não pedimos para nascer, pois todos nós não estamos aqui na terra por acaso. O que nos sucedeu, a perda dos nossos amados filhos, sucede a cada segundo neste mundo onde vivemos.

    A Vida não é um acidente de percurso é um caminho onde verdadeiramente não sabemos até onde ele aporta. A Vida verdadeiramente vivida é uma opção que nós próprios podemos tomar mesmo perante toda a nossa dor. Desistir não é uma solução. Lamentarmo-nos ainda menos... Pensem que a força gerada nas lamentações também pode ser aplicada como um meio de Vida virado para a coragem e determinação na reconstrução de tudo que está dentro de nós em ruínas.

    Gostaria que todos nós meditássemos, nos fins de tarde maravilhosos deste Verão tão escaldante, virados para o mar, para a natureza, para os seres que amamos e essencialmente para dentro de nós, sobre esta realidade. Vamos empenharmo-nos, com muito amor, a transformar os dias de angústia em dias de serenidade e aceitação.

    Lembremo-nos de que estamos vivos e mostremos a nós próprios, a partir deste momento, que queremos continuar a viver, que queremos criar todos os dias mais qualquer coisa para nos completarmos como seres criativos que somos.

    Vamos harmonizar o nosso passado com o presente e o futuro que é o amanhã. Louvar e valorizar a Vida.

 Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 19:56
link do post | comentar | ver comentários (3) | favorito
Terça-feira, 24 de Julho de 2007

O Filho

 

Corredores na noite

 Pela dor silenciados

 Luzes angustiadas

 Que metem medo.

 

 A mulher escorregou pela parede

 Sentou-se no chão

 As mãos entrelaçou nos joelhos

 Dobrados em desespero

 Esperou sem esperança.

 

 Pelo corredor vazio de fé

 Sem credos

 Corpos passam correndo

 Seu filho levando.

 

 A mulher

 O seu corpo elevou

 No quarto entrou.

 

 Sentindo o filho ausente

 Encostou a face

 Na cama ainda quente

 Não chorou, não soluçou

 Fizou vazia, parada

 Enterrada no nada.

 

 No seu desgosto via o rosto

 O olhar interrogando

 Porquê, mãe?

                                              Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 18:11
link do post | comentar | ver comentários (4) | favorito

.mais sobre mim

Contacto via e-mail

.posts recentes

. OS NOSSOS FILHOS JÁ NÃO M...

. Coragem

. Meu filho mostra-me o cam...

. Continuo com todos os que...

. Sempre

. Reflexões

. Partilhar

. É preciso ter coragem

. Dia do Pai

. O Natal e a ausência

.favoritos

. E o que Fazer?

. Partilhar

. Aos nossos Filhos

. Valorizando a Vida

. Mensagem

. Os Cristos no Mundo

. Ambição

. Emigrantes

. Afectividade

. A Ausência

.arquivos

. Setembro 2013

. Janeiro 2013

. Outubro 2012

. Maio 2012

. Novembro 2011

. Maio 2011

. Março 2011

. Dezembro 2010

. Fevereiro 2010

. Janeiro 2010

. Setembro 2007

. Agosto 2007

. Julho 2007

. Maio 2007

. Abril 2007

. Março 2007

. Fevereiro 2007

.tags

. todas as tags

.links

.pesquisar

 
blogs SAPO