Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Aos nossos Filhos

        Este poema foi criado depois de ler um livro escrito por uma amiga de coração que perdeu um filho.

         Uma obra onde as palavras transmitem, de uma maneira sentida e sublime, o amor, a saudade, as interrogações de uma mãe  coragem.

         Espero, muito em breve, vê-lo editado para conforto de todos nós.

         Neste regresso a casa, não quis deixar de vos oferecer todo o meu carinho através deste poema.

 

 

Ainda me arde a chaga nunca curada

Dor que consome e não se extingue

Pássaro voando entre árvores de verdes transparentes

Pisando levemente, de quando em vez, este meu chão

Perdido estás aos meus olhos mas delicado é o teu canto

Inebriantes sonhos, companhia das minhas madrugadas.

 

Vem, meu amor, vem, quero escutar o bater leve das tuas asas

Quero embalar esse teu corpo tão delicado e tão presente

Onde ainda bate mansamente o teu terno coração.

 

Na noite, encostada às vidraças não respiro

Escuto no silêncio e tu não vens

Para quando o encontro? Onde?

Na brisa ou no vento?

Sem um lamento, muito docemente espero

Caminho de Luz, definição simples e pura

Tudo efémero menos esta saudade eterna

Entre clamores, sussurros e lamentos

Tempo, noite, dia e tudo se conjuga

E tudo se completa como uma sinfonia

Chama que refulge e me liberta

Num misto de agonia e de alegria.

 

Quando? Diz a sonata. Quando meu amor, quando?

Quando te afagarei porque o amor esse não morre

Tudo onde toco e onde tu tocavas falam da nossa história

Filho, grandeza, bondade, existência partida em pedacinhos

Espalha nesta terra, ainda nossa, o germe da doçura

Anjo para sempre, asas libertas, deixei-te desprender, voar

Liberta a tua mãe de tanto pranto

Tenho de sorrir, sinto o teu manto cobrir-me quente e diáfano

Como o sol e a lua fecundando o espaço

Fazendo-me acreditar que ainda existes.

 

Afastem-se nuvens negras, mares revoltos, terra seca

O meu filho é mais do que tudo o que se vislumbra

É muito mais do que isso.

 

Viveu, sofreu, amou e muito deu a quem o sentiu como eu

Sempre e para todo o sempre assim tão perto...

Olhem no azul lá longe, aquele pássaro rompendo horizontes

É ele que se afasta e escreve em tanta luz o seu caminho

Alegria meu amor, muita alegria por tudo o que foste e que nos deste.

 

Aida Nuno

sinto-me:
publicado por criar e ousar às 09:47
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2 comentários:
De a 15 de Setembro de 2007 às 12:44
Em busca de Palavras de Conforte...cai aqui...Sinto pela partida de um amigo de infância e sofro em pensar em seus familiares q sempre foram tão unidos.
Sinto por sua mãe cheia de garra e por sua esposa tão nova e com esse peso tão grande em sua vida. Devido os percursos da vida não nos víamos mais...mas sempre tive notícia a seu respeito...saber q foste embora causa um grande sofrimento.

Obricada por esse cantinho...
Cristiane
De Maria Emília Pires a 6 de Fevereiro de 2009 às 15:58
Olá Aida, acabaste de receber um prémio no meu blog http://talqualsou.blogspot.com, para te incentivar a continuar este trabalho de ajuda a pessoas em luto que é muito importante.

Maria Emília

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